30/03/2025

Chevrolet barra Android Auto e CarPlay em carros elétricos

Decisão da montadora afeta até alternativas que levavam os sistemas à força para os painéis. Só o software próprio da GM será permitido.

A norte-americana General Motors (detentora da marca Chevrolet) resolveu peitar de vez os gigantes Apple e Google. A montadora anunciou que não quer mais saber de Android Auto nem Apple CarPlay em seus carros elétricos. Essa novela já se arrasta desde 2023, mas agora teve um ponto final. A GM não vai mais permitir nenhuma forma de espelhamento dos celulares.

Mesmo os carros que podiam receber esses recursos com um “jeitinho” agora estão sem saída. E tudo isso tem um motivo oficial: segurança. Mas, na prática, a história é bem mais embaixo.

No ano passado, uma empresa chamada White Automotive & Media Services lançou um kit de retrofit. Ele deixava os carros elétricos da GM compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay. Funcionava tanto com fio quanto sem. Porém, era tão complicado que só uma concessionária fazia a instalação: a LaFontaine Chevrolet, no Michigan.

Tudo ia mais ou menos bem até este mês. A White Automotive tirou o produto do ar. Disse que não dava mais pra continuar com ele. Só que o site The Drive revelou o que aconteceu de verdade: a própria Chevrolet mandou parar. A empresa pediu à concessionária que abandonasse o serviço.

Segundo um porta-voz da GM, esse tipo de modificação pode mexer com recursos de segurança do carro. E ainda por cima, pode anular a garantia. Ou seja, quem tentar colocar Android Auto ou CarPlay em um elétrico da Chevrolet vai acabar no prejuízo.

Agora, quem compra um carro elétrico da marca só pode usar o Ultifi, sistema próprio da GM. Ele é baseado nos serviços do Google. Tem Google Maps, Spotify, Google Assistant e outros apps. Tudo direto no painel. Nada de pegar o celular na mão. A ideia é justamente essa: manter o motorista com os olhos na estrada. E longe do celular.

De acordo com a Chevrolet, os sistemas da Apple e da Google são instáveis. Travam, desconectam, e fazem o motorista pegar o celular de novo. Isso, claro, aumenta o risco de acidentes. Pelo menos é o que dizem.

Só que há também outro interesse bem claro por trás da decisão. A coleta de dados. Quando o carro roda com o software da própria montadora, ela tem controle total sobre os dados gerados. E esses dados valem ouro. Mostram onde o motorista vai, o que escuta, como dirige e até onde abastece.

Além disso, com seu próprio sistema, a GM pode vender serviços por assinatura. Quer pagar um lanche no drive-thru direto da central multimídia? Pode. Quer comprar um plano extra de navegação? Também pode.

Esse modelo é uma aposta forte para o futuro. A Chevrolet acredita que pode ganhar até 25 bilhões de dólares por ano com isso. Inclusive, ela já tem o OnStar, um dos serviços por assinatura mais antigos do mercado automotivo.

Mas não para por aí. Modelos como o Blazer EV e o Equinox EV já vieram sem CarPlay e Android Auto de fábrica. Outros ainda mantêm os sistemas, como o Cadillac Lyriq, o Hummer EV e a Silverado elétrica, mas isso tem prazo de validade. As versões futuras vão seguir a nova regra da casa: ou usa o Ultifi, ou nada feito.

Se você é fã de conectar o iPhone ou o Android no carro, talvez seja bom pensar duas vezes antes de escolher um EV da GM. Porque agora, a tomada de decisão foi definitiva — e a porta para o espelhamento, trancada.

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